Lean Seis Sigma não é coisa de indústria.
O método resolve problema onde existe processo — hospital, transportadora, laboratório, oficina, escritório. Veja o mesmo DMAIC aplicado em setores diferentes.
Redução do Sobrepeso de Envase (Giveaway) na Linha de Biscoitos 02
Produção — Envase de Biscoitos · Jul/2026 – Dez/2026
Definir
A linha 02 doava 14,3 toneladas de biscoito por mês em peso extra — R$ 117 mil mensais indo embora nos pacotes.
A linha 02 envasa 420 t/mês de biscoitos (pacotes de 350 g e 400 g) com sobrepeso médio de 3,4% acima do peso declarado — produto entregue de graça (giveaway), equivalendo a 14,3 t/mês e R$ 1,4 milhão/ano. A declaração do problema mostrou picos de 4,9% nas primeiras horas após trocas de produto, concentrados nos bicos 5 a 8 da envasadora. A meta SMART (específica, mensurável, atingível, relevante e temporal): reduzir o sobrepeso de 3,4% para 1,4% (queda de 59%) até dez/2026, mantendo a conformidade metrológica. Escopo restrito à linha 02, com orçamento de R$ 25 mil e ganho validado pelo Financeiro de R$ 826 mil/ano.
D1 Qual é o problema, em números? Onde ocorre e desde quando? Qual o impacto para o negócio e para o cliente?
Entre jan/2025 e jun/2026, a linha 02 operou com sobrepeso médio de envase de 3,4% sobre o peso nominal, com picos de 4,9% nas primeiras horas após trocas de produto, concentrados nos bicos 5 a 8. O desvio equivale a 14,3 t/mês de biscoito entregue de graça — R$ 117 mil/mês, R$ 1,4 milhão/ano — sem afetar a experiência do consumidor nem a conformidade metrológica.
D2 Quem é o cliente do processo e o que ele considera crítico (CTQ — Critical to Quality)?
Os clientes do processo, segundo o SIPOC do envase, são o consumidor final (conteúdo líquido conforme declarado), a Expedição, a Controladoria (custo de transformação) e a Qualidade e Segurança de Alimentos (conformidade metrológica). Os CTQs priorizados na Matriz Causa e Efeito são o próprio sobrepeso médio (peso 10), o desvio-padrão do peso (peso 8), a conformidade metrológica/subpeso (peso 9) e os rejeitos do checkweigher (peso 6).
D3 Qual é a meta do projeto? (objetivo + valor + prazo)
Meta SMART: reduzir o sobrepeso médio de envase da linha 02 de 3,4% para 1,4% — queda de 59% — até 11/12/2026, mantendo a conformidade metrológica do conteúdo líquido e a produtividade atual da linha.
D4 Qual é o escopo? O que entra e o que fica de fora?
Dentro do escopo: linha de envase 02 (turnos 1 a 3), formatos de 350 g e 400 g (88% do volume), dosagem, envase, checkweigher, padrões de setup e manutenção de dosadores/balanças. Fora do escopo: demais linhas de envase (fase 2), alteração de formulação/embalagem, troca da envasadora (capex de linha) e fornecedores de matéria-prima e filme.
D5 Quais são os dados históricos conhecidos e o ganho esperado?
O baseline usou 18 meses de histórico do checkweigher (jan/2025 a jun/2026), confirmando o padrão de 3,4% de sobrepeso. O ganho esperado, validado pelo Financeiro em 06/07/2026, é de R$ 826 mil/ano em produto recuperado, com payback de 2 meses e orçamento aprovado de até R$ 25 mil.
D6 Há patrocínio (sponsor) e equipe definidos?
Sponsor: Henrique Barros (Diretoria Industrial), dedicação pontual. Champion: Patrícia Gomes (Gerência de Produção, 10%). Green Belt líder: Thiago Ramos (Excelência Operacional, 50%). Equipe: Vagner Luz (Operação/Envase, 20%), Elaine Duarte (Manutenção/Dosadores, 20%) e Rafael Pinto (Qualidade e Segurança de Alimentos, 15%).
Medir
Todo pacote pesado no checkweigher virou dado estratificado por bico, turno e produto.
O SIPOC (mapa de fornecedores, entradas, processo, saídas e clientes) delimitou o processo do biscoito assado ao pallet expedido, apontando o checkweigher (balança que pesa 100% dos pacotes) como fonte primária de dados. O plano de coleta rodou por 4 semanas, com MSA (análise do sistema de medição) das balanças aprovado antes. O indicador Y primário — sobrepeso % sobre o nominal — confirmou baseline de 3,4%, desvio-padrão de 6,8 g e Cpk (índice de capacidade do processo) de 0,62, estratificado por bico (1–8), turno e SKU, além de folha de verificação dos ajustes manuais.
M1 Qual é o Y do projeto e como ele é medido?
O Y primário é o sobrepeso médio de envase (%), calculado como (peso real médio − peso nominal) ÷ peso nominal × 100. É medido automaticamente pelo checkweigher CW-02, que pesa 100% dos pacotes, com consolidação horária e estratificação por bico, turno e SKU.
M2 Qual é a linha de referência (o desempenho atual, em números)?
A coleta de 4 semanas (10/08 a 04/09/2026) confirmou o baseline: sobrepeso médio de 3,4%, desvio-padrão de 6,8 g por pacote e Cpk do peso líquido de 400 g de 0,62 — bem abaixo do mínimo aceitável de 1,33.
M3 A medição é confiável? Como você garantiu isso?
O MSA das balanças foi aprovado antes do início da coleta, com R&R abaixo de 10%. A folha de verificação dos ajustes manuais foi validada em piloto de 2 dias, e os dados do MES foram auditados semanalmente pelo Green Belt; registros incompletos eram descartados e recontados.
M4 Qual a capacidade atual do processo — ou o nível atual do indicador?
A capacidade atual é baixa: Cpk do peso líquido de 0,62 (meta 1,33) e desvio-padrão de 6,8 g (meta 3,2 g), evidenciando processo instável e fora de controle estatístico, sobretudo nas horas seguintes a trocas de produto.
M5 Os dados foram estratificados? Onde o problema se concentra?
A estratificação por bico, turno e SKU no checkweigher mostrou o problema concentrado nos bicos 5 a 8 da envasadora, com pico de sobrepeso de 4,9% nas primeiras horas após cada troca de produto — bem acima da média geral de 3,4%.
M6 Qual o tamanho da lacuna (a oportunidade do projeto)?
A lacuna entre o baseline (3,4%) e a meta (1,4%) é de 2,0 pontos percentuais, uma redução de 59%. Em capacidade, é preciso levar o Cpk de 0,62 para 1,33 e o desvio-padrão de 6,8 g para 3,2 g.
Analisar
Dois motivos explicavam 70,1% do problema: válvulas gastas nos bicos 5–8 e setup sem ajuste fino.
O Ishikawa (diagrama de causas em 6 categorias) organizou as hipóteses do brainstorming, e a Matriz Causa e Efeito priorizou desgaste das vedações (22%) e setup sem ajuste fino por bico (19%). O Pareto de 214 ocorrências mostrou deriva de dosagem nos bicos 5–8 (43%) e instabilidade pós-troca (27,1%) somando 70,1%. Os 5 Porquês, com verificação em campo, comprovaram duas causas-raiz: a manutenção preventiva não previa troca das vedações (sem histórico por componente), e o padrão de setup, anterior ao checkweigher, levava operadores a superdosar 'por segurança'.
A1 Quais são as causas potenciais do problema?
O Ishikawa (6M) levantou causas potenciais em brainstorming: desgaste de vedações e folga no atuador pneumático (Máquina), setup sem ajuste fino e alvo elevado 'por segurança' (Método), ajuste por experiência individual e critérios divergentes entre turnos (Mão de Obra), variação de densidade do biscoito entre lotes (Material), calibração dos dosadores sem frequência definida (Medição) e variação de temperatura/umidade da sala (Meio Ambiente).
A2 Quais causas foram priorizadas e por quê?
A Matriz Causa e Efeito ponderou cada causa pelo impacto nos 4 CTQs do processo. As 4 primeiras — desgaste das vedações dos bicos 5–8 (22%), setup sem ajuste fino de peso por bico (19%), variação de densidade do biscoito (14%) e alvo de peso acima do nominal (13%) — foram priorizadas para validação; as demais seguiram apenas para monitoramento.
A3 As causas foram comprovadas com evidência (dado, observação ou teste) — e não só opinião?
Verificação em campo em 22/09/2026 confirmou desgaste severo nas vedações dos 4 bicos (5 a 8), com retardo de cerca de 0,3 s no fechamento das válvulas. Os 5 Porquês, conduzidos em 22 e 24/09, comprovaram as duas causas-raiz com evidência de campo e dados do checkweigher, não apenas hipótese.
A4 Qual a relação entre as causas (X) e o resultado (Y)?
O Pareto de 214 ocorrências de ajuste manual mostrou que a deriva de dosagem nos bicos 5–8 (43,0%) e a instabilidade pós-troca de produto (27,1%) respondem por 70,1% dos ajustes — os mesmos X's que explicam os picos de sobrepeso de 4,9% logo após trocas de SKU.
A5 Quais são as poucas causas vitais que respondem pela maior parte do problema (Pareto)?
Pela regra 80/20, os motivos 1 e 2 do Pareto (deriva dos bicos 5–8 e instabilidade pós-troca) já somam 70,1% das ocorrências; somando o motivo 3 (variação de densidade), chegam a 83,2%. A análise vital concentrou-se nesses dois primeiros motivos.
Melhorar
Sete ações por R$ 15,1 mil — e o piloto derrubou o sobrepeso de 3,4% para 1,6%.
A matriz esforço × impacto classificou 4 quick wins e 3 projetos estratégicos, descartando 2 soluções — total de R$ 15,1 mil, dentro do teto de R$ 25 mil. O plano 5W2H trouxe ações como substituir as vedações dos bicos 5–8 (R$ 3,2 mil, concluída), revisar o padrão de setup com ajuste fino por bico, DOE (experimento planejado) para definir alvo de peso estatístico (R$ 1,5 mil) e CEP por bico no checkweigher (R$ 8 mil). Piloto de 2 semanas nos turnos 1 e 2: sobrepeso caiu de 3,4% para 1,6%, sem subpeso metrológico.
I1 As soluções atacam as causas-raiz comprovadas (e não os sintomas)?
As ações 1 a 3 do 5W2H atacam a causa-raiz A (vedações desgastadas sem plano de troca), e as ações 4 e 5 atacam a causa-raiz B (setup sem ajuste fino de peso por bico) — exatamente as causas confirmadas pelos 5 Porquês, e não apenas seus sintomas.
I2 Como as soluções foram priorizadas (impacto × esforço)?
A Matriz Esforço × Impacto classificou as soluções 1, 2, 3 e 7 como quick wins (baixo esforço, alto impacto) e as soluções 4, 5 e 6 como estratégicas (maior esforço, com piloto controlado); as soluções 8 (classificação de lotes por densidade) e 9 (climatização da sala) foram descartadas por impacto marginal frente ao esforço.
I3 Houve piloto/teste antes de escalar?
Antes de escalar, rodou-se um piloto de 2 semanas nos turnos 1 e 2 com as ações 1 (vedações), 4 (setup) e 5 (DOE de dosagem) já ativas, testando o efeito combinado sem comprometer a conformidade metrológica nem a produtividade da linha.
I4 Qual o ganho esperado com as soluções propostas (no indicador e, se possível, em R$)?
O piloto reduziu o sobrepeso médio de 3,4% para 1,6% (queda de 53%), sem nenhuma ocorrência de subpeso e com produtividade mantida — trajetória compatível com a meta de 1,4% até 11/12/2026. O investimento total das ações priorizadas foi de R$ 15,1 mil, dentro do teto de R$ 25 mil.
Controlar
Cartas de controle por bico com alarme automático para o ganho não escapar de volta.
O plano de sustentação previsto no charter e no 5W2H contempla plano de controle, CEP (controle estatístico de processo) de variáveis por bico com cartas X-barra/R no MES e alarme em 2 desvios-padrão, com escalonamento via OCAP (plano de reação fora de controle). A padronização inclui o novo padrão de setup (POP-ENV-012), troca trimestral de vedações no CMMS e treinamento dos 3 turnos (R$ 2,4 mil). O encerramento contempla handover ao dono do processo para sustentar o ganho rumo à meta de 1,4%.
C1 O resultado foi confirmado com dados? A meta foi atingida — ou quanto dela?
O piloto de 2 semanas confirmou queda do sobrepeso de 3,4% para 1,6%, sem subpeso metrológico, com trajetória compatível com a meta de 1,4%. A confirmação plena da meta depende da conclusão do CEP por bico e do treinamento dos 3 turnos, previstos para dez/2026.
C2 Qual o ganho obtido (no indicador e, se possível, em R$)?
O ganho financeiro projetado é de R$ 826 mil/ano em produto recuperado (validado pelo Financeiro em 06/07/2026), com payback de 2 meses sobre o investimento de R$ 15,1 mil. A validação definitiva desse valor com o Financeiro está agendada para fev/2027, após o encerramento formal do projeto.
C3 O novo processo foi padronizado (POP / instruções)?
O padrão de setup foi revisado (POP-ENV-012), passando a incluir verificação de 20 pacotes por bico no checkweigher após cada troca. A troca das vedações virou tarefa trimestral cadastrada no CMMS, e as ordens de manutenção passaram a exigir registro obrigatório de componente e causa.
C4 Como o ganho será monitorado ao longo do tempo? Com quais indicadores?
O monitoramento passa por CEP de variáveis por bico, com cartas X-barra/R no MES e alarme em 2 desvios-padrão, acompanhando o sobrepeso (meta ≤1,4%), o desvio-padrão do pacote (meta 3,2 g) e o Cpk do peso líquido (meta 1,33).
C5 Há plano de reação para desvios?
O OCAP (plano de reação a desvios) determina que, ao alarme de 2σ no checkweigher, o time verifique o bico, confira o estado da vedação e ajuste conforme o padrão — sempre antes de qualquer correção manual do alvo de dosagem pelo operador.
C6 Quem é o dono do processo daqui para frente?
Patrícia Gomes (Gerência de Produção), Champion do projeto, é a dona do processo responsável pela sustentação do plano de controle e pela revisão de 30 dias agendada para jan/2027.
C7 O ganho se manteve após a implementação (evidência de sustentação)?
A sustentação do ganho ainda depende da conclusão do CEP por bico e do treinamento dos 3 turnos (dez/2026) e da revisão de 30 dias do plano de controle com a dona do processo (jan/2027) — até o fechamento do projeto não há dado de sobrepeso pós-implantação plena além do resultado do piloto.
C8 Houve replicação / registro de lições aprendidas?
As lições aprendidas: o indicador agregado escondia o problema real de 4 bicos específicos; um padrão de setup defasado gera perda crônica; e manutenção preventiva sem histórico por componente não protege. Para 2027, a fase 2 prevê replicar a solução às demais linhas de envase e testar a classificação de lotes por densidade.
Piloto de 2 semanas reduziu o sobrepeso médio de 3,4% para 1,6%, sem subpeso metrológico e com produtividade mantida — trajetória compatível com a meta de 1,4%. Ganho estimado de R$ 826 mil/ano em produto recuperado, com payback de 2 meses.
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Use este exemplo como referência de profundidade — descreva com fatos e números, comprove com evidência, confirme o ganho.
