Lean Seis Sigma
Cases de aplicação

Lean Seis Sigma não é coisa de indústria.

O método resolve problema onde existe processo — hospital, transportadora, laboratório, oficina, escritório. Veja o mesmo DMAIC aplicado em setores diferentes.

S
Case detalhado · Saúde · GB-2026-041

Redução do Tempo de Permanência no Pronto Atendimento (Porta-Alta)

Assistencial — Pronto Atendimento · Jul/2026 – Dez/2026

D

Definir

Paciente simples esperava 4,9 horas para receber alta — quase o dobro do aceitável.

case completo

O Pronto Atendimento realiza 9.800 atendimentos/mês, e os pacientes de baixa complexidade (classificação verde/azul) levavam em média 4,9 horas da entrada à alta (o chamado tempo porta-alta), com picos de 7,8 horas — quase o dobro da referência interna de 2,5 horas. A demora gerava superlotação, evasão de 6,2% (cerca de 610 pacientes/mês desistiam antes do atendimento) e impacto estimado de R$ 96 mil/mês entre receita perdida e horas extras. A meta SMART: reduzir o porta-alta de 4,9 para 2,5 horas (−49%) até dez/2026, mantendo a segurança do paciente. O escopo cobriu só pacientes adultos verde/azul, da triagem à alta, com orçamento de R$ 25 mil e ganho estimado de R$ 486 mil/ano.

Tempo porta-alta — baseline vs. metadados do case
5,6 h4,2 h2,8 h1,4 h0 hmeta · 2,5 h4,9 h2,5 hbaseline (jan/25–jun/26)meta (11/12/2026)
O baseline de 4,9 horas está quase o dobro da referência interna e da meta SMART de 2,5 horas definida no Charter.
Documentos da fase Project Charter
Como o projeto respondeu

D1 Qual é o problema, em números? Onde ocorre e desde quando? Qual o impacto para o negócio e para o cliente?

O Pronto Atendimento realiza 9.800 atendimentos/mês, e o tempo porta-alta dos pacientes verde/azul foi de 4,9 horas entre jan/2025 e jun/2026, com picos de 7,8 horas e 38% dos pacientes acima de 6 horas de permanência. As ocorrências se concentram no turno das 18h às 23h (57% dos casos), nas etapas de exame laboratorial e reavaliação médica. O impacto estimado é de R$ 96 mil/mês entre receita perdida por evasão e horas extras.

D2 Quem é o cliente do processo e o que ele considera crítico (CTQ — Critical to Quality)?

O cliente direto do processo é o paciente verde/azul (baixa complexidade) e seus acompanhantes, com a Gestão do PA e a Diretoria Assistencial como clientes internos. A Matriz Causa e Efeito consolidou as saídas críticas (CTQs) do processo: tempo porta-alta (peso 10), taxa de evasão (peso 9), segurança do paciente (peso 8) e satisfação/NPS (peso 6) — hierarquia usada para priorizar as causas na fase Analisar.

D3 Qual é a meta do projeto? (objetivo + valor + prazo)

Reduzir o tempo médio porta-alta dos pacientes verde/azul de 4,9 para 2,5 horas (−49%) até 11/12/2026, mantendo integralmente os protocolos assistenciais e a segurança do paciente.

D4 Qual é o escopo? O que entra e o que fica de fora?

Dentro do escopo: Pronto Atendimento adulto, pacientes verde/azul, da triagem à alta, incluindo o fluxo de exames de laboratório e imagem originados no PA e os protocolos/escalas do setor. Fora do escopo: pacientes vermelho/laranja/amarelo (emergência/urgência), gestão de leitos e internação, obras/CAPEX e contratação de pessoal além do quadro aprovado.

D5 Quais são os dados históricos conhecidos e o ganho esperado?

O baseline usou 18 meses de dados do HIS (jan/2025 a jun/2026), com porta-alta médio de 4,9 horas. O ganho estimado é de R$ 486 mil/ano (hard savings validados pelo Financeiro em 02/07/2026), com payback de cerca de 3 meses e orçamento aprovado de R$ 25 mil, sem contratação adicional.

D6 Há patrocínio (sponsor) e equipe definidos?

Sponsor: Mariana Castro (Diretoria Assistencial). Champion: Dr. Rafael Nogueira (Gerência do PA, 10%). Green Belt líder: Thiago Ramos (Qualidade/Escritório de Processos, 50%). Equipe: Enf. Camila Freitas (Enfermagem-PA, 20%), Dr. André Sales (Corpo Clínico, 15%) e Bruno Teixeira (Laboratório, 15%).

M

Medir

Dados automáticos do sistema hospitalar confirmaram o baseline: 4,9 horas e 38% acima de 6 horas.

case completo

O SIPOC (mapa de fornecedores, entradas, processo, saídas e clientes) delimitou o fluxo em 6 etapas, da recepção à alta administrativa. O plano de coleta usou os registros de horário do HIS (sistema de informação hospitalar), com censo de 100% dos casos, após validação da qualidade dos dados (MSA, com concordância acima de 90%). O baseline confirmou 4,9 horas de porta-alta, picos de 7,8 horas e 38% dos pacientes com mais de 6 horas de permanência. Os dados foram estratificados por turno, dia e classificação, e uma folha de verificação registrou os motivos de espera prolongada.

Pacientes com permanência acima de 6 horasdados do case
43,7%32,8%21,8%10,9%0%meta · 10%38%10%baselinemeta
Indicador secundário confirmado no baseline: 38% dos pacientes verde/azul ficam mais de 6 horas no PA, frente à meta de 10%.
Como o projeto respondeu

M1 Qual é o Y do projeto e como ele é medido?

O Y primário é o tempo porta-alta (h): horário da alta administrativa menos horário do registro de entrada, extraído automaticamente do HIS para 100% dos casos (censo), após aprovação do MSA dos timestamps (concordância acima de 90%).

M2 Qual é a linha de referência (o desempenho atual, em números)?

O baseline confirmado no HIS foi de 4,9 horas de porta-alta, com picos de 7,8 horas e 38% dos pacientes permanecendo mais de 6 horas — consistente com o período histórico de jan/2025 a jun/2026 do Charter. A coleta de confirmação rodou de 10/08 a 11/09/2026.

M3 A medição é confiável? Como você garantiu isso?

O MSA dos registros de horário do HIS foi aprovado antes da coleta, com concordância acima de 90%. A folha de verificação de motivos de espera foi validada em piloto de 2 dias, e os dados foram auditados semanalmente pelo Green Belt, com registros incompletos descartados e recontados.

M4 Qual a capacidade atual do processo — ou o nível atual do indicador?

Com 38% dos atendimentos acima de 6 horas e picos de 7,8 horas frente a uma meta de 2,5 horas, o processo opera hoje bem fora da capacidade desejada — quase o dobro da referência interna na média. Uma análise formal de capacidade (Cp/Cpk) não foi documentada nas fontes disponíveis.

M5 Os dados foram estratificados? Onde o problema se concentra?

Os dados foram estratificados por turno, dia e classificação de risco. A concentração maior ocorre no turno das 18h às 23h (57% dos casos), e o Pareto da fase Analisar mostrou que as etapas de exame laboratorial (39,6%) e reavaliação médica (28,9%) respondem por 68,5% das esperas prolongadas.

M6 Qual o tamanho da lacuna (a oportunidade do projeto)?

A lacuna entre o baseline (4,9 h) e a meta (2,5 h) é de 2,4 horas, uma redução necessária de 49%. Nos indicadores secundários, a lacuna é de 28 pontos percentuais na permanência acima de 6h (38% → meta 10%) e de 3,7 pontos na evasão (6,2% → meta 2,5%).

A

Analisar

Duas esperas — laboratório e reavaliação médica — concentravam 68,5% do problema.

case completo

O diagrama de Ishikawa (espinha de peixe) organizou as causas potenciais em 6 categorias, e o Pareto sobre 540 ocorrências mostrou que espera por resultado laboratorial (39,6%) e espera por reavaliação médica (28,9%) somavam 68,5% dos casos. A Matriz Causa e Efeito confirmou essas causas no topo. Os 5 Porquês chegaram a duas causas-raiz: ausência de fluxo prioritário (STAT) e de acordo de prazo (SLA) entre o Pronto Atendimento e o laboratório; e falta de protocolo de fast-track clínico com checklist de reavaliação e alta para pacientes verde/azul.

Motivos de espera prolongada (540 ocorrências)dados do case
100%75%50%25%0%39,6%28,9%14,4%7,8%4,8%2,8%1,7%acum.Resultado laboratorialReavaliação médicaExame de imagemTriagemLeito/maca observaçãoAdministrativa (alta)Outros
Espera por resultado laboratorial e por reavaliação médica concentram 68,5% das ocorrências registradas na folha de verificação.
Como o projeto respondeu

A1 Quais são as causas potenciais do problema?

O Ishikawa (6M) levantou causas em Método (sem fast-track, reavaliação não padronizada, coleta sem prioridade), Mão de obra (plantão noturno subdimensionado, variação de conduta), Máquina (HIS lento, equipamento de imagem em manutenção), Material (falta de kits e insumos), Medição (sem painel em tempo real nem alerta de espera) e Meio ambiente (superlotação, layout, picos noturnos).

A2 Quais causas foram priorizadas e por quê?

A Matriz Causa e Efeito priorizou, por correlação ponderada com os CTQs: ausência de fast-track clínico verde/azul (249 pts, 21%), fila laboratorial sem priorização/STAT (213 pts, 18%) e reavaliação médica não padronizada (207 pts, 17%) — as três causas de Método com maior impacto no tempo porta-alta, na evasão e na segurança do paciente.

A3 As causas foram comprovadas com evidência (dado, observação ou teste) — e não só opinião?

O Pareto sobre 540 ocorrências da folha de verificação confirmou que espera por resultado laboratorial (39,6%) e por reavaliação médica (28,9%) somam 68,5% dos casos. Os 5 Porquês, validados com dados do HIS/LIS, mostraram que a liberação laboratorial passa de 90 minutos para o PA (média LIS de 94 min) por falta de fila prioritária.

A4 Qual a relação entre as causas (X) e o resultado (Y)?

A ausência de fluxo STAT/SLA laboratorial eleva diretamente o tempo de resultado para média de 94 minutos, alimentando o Y (porta-alta); a ausência de protocolo de fast-track clínico e checklist faz o paciente verde/azul disputar a mesma fila de reavaliação dos casos complexos, prolongando a etapa 5 do fluxo.

A5 Quais são as poucas causas vitais que respondem pela maior parte do problema (Pareto)?

Duas causas-raiz concentram o problema: (A) ausência de SLA e fluxo de coleta prioritária (STAT) pactuado entre PA e Laboratório, responsável por 39,6% das esperas; e (B) ausência de protocolo de fast-track clínico e checklist padronizado de reavaliação/alta para verde/azul, responsável por 28,9% — juntas, 68,5% do problema.

I

Melhorar

Piloto com fast-track derrubou o tempo de 4,9 para 2,7 horas.

case completo

A matriz esforço × impacto priorizou 8 soluções (7 entre ganhos rápidos e estratégicas; 1 adiada), somando cerca de R$ 16 mil, dentro do teto de R$ 25 mil. O plano 5W2H definiu ações como o fast-track laboratorial com etiqueta STAT e SLA de 45 minutos, o protocolo de fast-track clínico verde/azul e o checklist de reavaliação e critérios de alta. O piloto de 2 semanas nos turnos diurno e vespertino reduziu o porta-alta de 4,9 para 2,7 horas e a evasão de 6,2% para 3,1%.

Tempo porta-alta — resultado do pilotodados do case
5,6 h4,2 h2,8 h1,4 h0 hmeta · 2,5 h4,9 h2,7 hbaselinepiloto (2 semanas)
No piloto de 2 semanas (turnos diurno e vespertino), o porta-alta caiu de 4,9 para 2,7 horas, próximo da meta de 2,5 horas.
Como o projeto respondeu

I1 As soluções atacam as causas-raiz comprovadas (e não os sintomas)?

As ações 1 e 2 (fast-track laboratorial com etiqueta STAT e SLA de 45 min pactuado com o laboratório) atacam diretamente a causa-raiz A; as ações 3 e 4 (protocolo de fast-track clínico verde/azul e checklist de reavaliação/critérios de alta) atacam a causa-raiz B — ambas validadas nos 5 Porquês.

I2 Como as soluções foram priorizadas (impacto × esforço)?

A Matriz Esforço × Impacto priorizou 5 quick wins (ações 1 a 5) para início imediato e 3 soluções estratégicas com piloto controlado (painel de gestão à vista, enfermeiro navegador, nivelamento da escala noturna); a solução de ponto de coleta dedicado no PA foi adiada para uma fase 2, por impacto marginal frente ao esforço.

I3 Houve piloto/teste antes de escalar?

As ações 1, 3 e 4 (fast-track laboratorial, protocolo clínico e checklist de reavaliação) foram testadas em piloto de 2 semanas nos turnos diurno e vespertino antes do rollout para os três turnos, dentro do investimento de ~R$ 16 mil (teto do Charter: R$ 25 mil).

I4 Qual o ganho esperado com as soluções propostas (no indicador e, se possível, em R$)?

No piloto, o tempo porta-alta caiu de 4,9 para 2,7 horas (−45%) e a evasão recuou de 6,2% para 3,1%, sem perda de segurança assistencial — trajetória compatível com a meta de 2,5 horas até 11/12/2026 e com o ganho projetado de R$ 486 mil/ano.

C

Controlar

Painel por turno, gatilhos de reação e handover garantem que o ganho não se perde.

case completo

O plano de controle monitora o porta-alta (meta ≤ 2,5 h por turno), o SLA laboratorial de 45 minutos, o uso do checklist em 100% dos casos, a evasão (≤ 2,5%) e a permanência acima de 6 h (≤ 10%), com painel automático do HIS e responsáveis definidos. O OCAP (plano de ação para fora de controle) dispara quando a média do turno passa de 3,0 h ou o SLA estoura: 7 passos cronometrados, do diagnóstico imediato ao escalonamento ao Champion em recorrência. O processo é entregue ao dono (Gerência do PA), com rollout para os três turnos e próximos passos de validação financeira e replicação em outras unidades.

Taxa de evasão — resultado do pilotodados do case
7,1%5,3%3,6%1,8%0%meta · 2,5%6,2%3,1%baselinepiloto (2 semanas)
A evasão do PA recuou de 6,2% para 3,1% no piloto, caminhando para a meta de controle de 2,5% monitorada no Plano de Controle.
Como o projeto respondeu

C1 O resultado foi confirmado com dados? A meta foi atingida — ou quanto dela?

O piloto de 2 semanas confirmou a queda do porta-alta para 2,7 horas e da evasão para 3,1%, com trajetória compatível com a meta de 2,5 horas. A confirmação plena da meta depende do rollout para os três turnos, previsto até o encerramento do projeto em 11/12/2026.

C2 Qual o ganho obtido (no indicador e, se possível, em R$)?

O ganho de indicador foi de −45% no porta-alta (4,9 h → 2,7 h no piloto) e de −3,1 pontos percentuais na evasão (6,2% → 3,1%). O ganho financeiro projetado é de R$ 486 mil/ano em hard savings, com payback de cerca de 3 meses.

C3 O novo processo foi padronizado (POP / instruções)?

A padronização inclui o checklist de reavaliação médica com critérios objetivos de alta no HIS, o protocolo de fast-track clínico verde/azul com enfermeiro navegador, e a etiqueta STAT com SLA de 45 minutos pactuado com o laboratório.

C4 Como o ganho será monitorado ao longo do tempo? Com quais indicadores?

O Plano de Controle monitora seis itens por turno via painel automático do HIS: porta-alta (≤2,5 h), SLA laboratorial (≤45 min), % de verde/azul no fast-track (≥80%), uso do checklist (100% dos casos), evasão (≤2,5%) e permanência acima de 6h (≤10%), cada um com responsável definido.

C5 Há plano de reação para desvios?

O OCAP dispara quando a média do turno passa de 3,0 horas ou o SLA laboratorial estoura: 7 passos cronometrados, da confirmação do alerta e identificação do gargalo (≤15 min) até o escalonamento ao Champion em caso de recorrência (≤2h ou 3 turnos seguidos).

C6 Quem é o dono do processo daqui para frente?

O dono do processo é a Gerência do Pronto Atendimento, que recebe o handover formal em 11/12/2026, com rollout do modelo para os três turnos e o painel de gestão à vista em operação contínua.

C7 O ganho se manteve após a implementação (evidência de sustentação)?

O piloto de 2 semanas sustentou o ganho nos turnos diurno e vespertino, mas as fontes disponíveis não cobrem a sustentação após o rollout completo e o handover — a confirmação de longo prazo depende do acompanhamento do Plano de Controle pós 11/12/2026.

C8 Houve replicação / registro de lições aprendidas?

Os próximos passos definidos são consolidar o painel de gestão à vista, validar os hard savings com o Financeiro e replicar o modelo de fast-track e SLA pactuado em outras unidades — lição central: gargalos de apoio (como o laboratório) exigem SLA formal, não boa vontade operacional.

Resultado do projeto

No piloto de 2 semanas, o tempo porta-alta caiu de 4,9 h para 2,7 h (−45%) e a evasão recuou de 6,2% para 3,1%, sem perda de segurança assistencial. O ganho projetado é de R$ 486 mil/ano, com payback de cerca de 3 meses e trajetória compatível com a meta de 2,5 h.

Baixar a apresentação executiva do case

Pronto pra desenvolver o seu?

Use este exemplo como referência de profundidade — descreva com fatos e números, comprove com evidência, confirme o ganho.

Iniciar meu projeto